segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quantos?

Quantos adeuses nossas mãos podem dar? Quantos partem, a cada dia, para não mais voltar? Quantas vezes meus olhos se encherão de lágrimas? Quantas vezes dormiremos sem perdoar nossas mágoas? Quanta violência podemos suportar? Quantas vezes veremos um sonho abortar? Não sei. Melhor não saber. Melhor não pensar. Será mesmo?

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Outra

Hoje ela está partindo, para longe, me deixando solitário e triste e meu coração, frágil, não resiste... Mas também eu não sou monge. Se ela vai e fico metade, já tenho com quem me deitar à noite, pois o vazio me fere como açoite, eu faço de amante a saudade...

Destino

Alma vestida de andrajos, maltrapilha. Trapo humano a vagar, em desatino. Se fosse robô, trocava-se a pilha, mas sou humano, triste destino...

Quisera

Que me vale ser poeta, se ela não está comigo, melhor que fosse atleta, e corresse ao seu abrigo.

Frugal

Andrajos que me cobrem a vergonha, panos rotos que se desfazem em trapos, Minh'alma dorme, triste, mas não sonha, tu comes ostras enquanto engulo sapos...

Erros

Nas sendas de uma alma inquieta, habito. Nas curvas de uma vida curta, caminho. E os erros do passado que eu repito, me fazem não mais ter o teu carinho.

Morta de Saudades

As tardes passam depressa e somem, no breu da noite. E as palavras que me destes trazem a dor de um açoite. Minh'alma se estreita em convulsões atrozes e a mente se estraçalha, vitimada pelas vozes que cismam em soprar os rumores da partida afirmando que, em breve, partirás da minha vida. E meu corpo, já inerte, jaz sob o batente da porta, esperando que o legista ateste que estou morta...

Meninice

Espelho que reflete o que eu não sinto, as marcas que a vida me legou, por dentro um menino indistinto, por fora uma chama que apagou...

Desatino

Não é o tempo, que nos foge, quem decide nem, tampouco, os desígnios do destino, os deuses dormem, mas tudo coincide, nosso guia é o nosso desatino...

Servil

Absolutamente obsoleto, absorto em absinto, assim me sinto, um tanto torto, e soletro demente, palavras que ferem quem as sente, e consinto em ser santo quando quero ser vil, somente...

Palavras

As palavras brotam, se lançam desfilam na minha mente, e rapidamente avançam jorrando feito torrente e quando percebo, estranhando, já estão na minha tela, como se houvesse alguém me olhando, de fora da minha janela, soprando aos ouvidos ideias, que juro que não são minhas, como orações ateias, como ervas daninhas...

Vivendo

Falar da minha dor não faz com que ela diminua, nem permite que outro alguém a sinta, então, o mais certo, o mais humano, o mais sensato, é doer calado, é sentir o corte, é lamber o sangue, é rasgar a alma, e sorrir, contendo a lágrima que escorre para dentro...

Poeta da Dor

O poeta da dor, este sou eu, da dor mais profunda, mais aguda, da dor sem cura, sem tamanho, da dor que angustia, que constrange, da dor que abarca, que atravessa, da dor que é tanta que é quase nada, da dor que é minha e de mais ninguém, da dor que eu atiço e repulso, da dor que eu escondo e alimento, da dor que me mata a cada dia, mas que dá sentido ao meu viver...